Perfeccionismo: a tentativa desesperada de evitar a rejeição
Eliane Maria
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O perfeccionismo costuma ser elogiado.
As pessoas chamam de capricho.
Excelência.
Alto padrão.
Comprometimento.
Mas quem vive isso sabe que existe algo muito mais profundo por trás.
O perfeccionista não busca perfeição porque gosta.
Busca porque tem medo.
Medo da crítica.
Medo da vergonha.
Medo da rejeição.
Medo de descobrir que não é tão bom quanto gostaria.
Por isso errar se torna ameaçador.
Não porque o erro é grave.
Mas porque o erro parece dizer alguma coisa sobre quem a pessoa é.
Quando uma criança cresce em ambientes onde falhar traz humilhação, comparação ou desaprovação, ela aprende uma regra silenciosa:
"Errar é perigoso."
Então o cérebro cria uma estratégia.
Controlar tudo.
Revisar tudo.
Antecipar tudo.
Pensar em todos os cenários possíveis.
Só que esse controle nunca gera segurança.
Gera exaustão.
E ironicamente gera o efeito contrário.
O perfeccionista procrastina.
Trava.
Adia.
Evita.
Porque se tudo precisa sair impecável, começar se torna assustador.
O perfeccionismo não é uma busca por excelência.
É uma tentativa de evitar sofrimento.
E enquanto essa diferença não for compreendida, a pessoa continuará confundindo autocobrança com crescimento.
Quando, na verdade, está apenas vivendo em estado permanente de ameaça.

