Crueldade com animais na adolescência:
O que está em jogo no cérebro, na psique e na família
Eliane
1/29/20263 min read


Desde que aconteceu essa atrocidade com esse caozinho, o Orelha, estou recebendos perguntas como: ele é psicopata? são doentes mentais? Estavam dr0g4ados? Enfim...
Abaixo eu vou deixar uma explicação profissional, neuropsicanalitica, do que acontece com as emoçoes e com o cérebro.
Eu Eliane, pessoa física, que ama animais e já chorei litros antes de escrever este material, digo que essas personalidades vem se formando desde berço. São adolescentes de 12 a 17 anos, minha gente, que tortur4r4m essa pobre criatura até que ele teve que passar por uma eutanásia, para cessar o sofrimento. A minha raiva e revolta é tão grande, que prefiro parar por aqui porque tô sem dinheiro para o advogado.
Vestindo o jalecó e sendo profissional.
Quando um adolescente tortura um animal indefeso, não estamos diante de “maldade simples”, nem de “fase”, nem de “falta de limite” isoladamente. Esse comportamento é um marcador de risco importante no desenvolvimento emocional e moral.
Não se trata de rotular precocemente, mas de entender que esse tipo de ato costuma sinalizar falhas sérias na construção da empatia, da responsabilidade e do vínculo com o outro como sujeito.
A análise precisa considerar três eixos: neurobiologia, estrutura psíquica e ambiente familiar/social.
1. O QUE PODE ESTAR ACONTECENDO NO CÉREBRO
Não existe um “cérebro do mal”, mas alguns padrões são frequentemente observados:
Déficits na resposta empática
Áreas como:
amígdala (processamento emocional do sofrimento alheio)
córtex pré-frontal ventromedial (freio moral, culpa, consideração do outro) podem apresentar funcionamento reduzido ou pouco integrado.
O efeito prático é grave: o jovem percebe cognitivamente a dor do outro, mas não a sente emocionalmente.
Sistema de recompensa distorcido
Em alguns casos, o ato agressivo ativa circuitos dopaminérgicos ligados a:
excitação
sensação de poder
domínio
O cérebro aprende que a violência gera estímulo intenso — e tende a repetir.
Baixo controle inibitório
A adolescência já é marcada por impulsividade e busca por estímulos fortes.
Se isso se combina com baixa empatia, temos uma equação perigosa: impulso forte + pouco freio + pouca ressonância emocional com a vítima.
O QUE ISSO REPRESENTA NA PSIQUE
A crueldade com um animal raramente é “sobre o animal”. É sobre dinâmica interna.
Desumanização
O animal deixa de ser um ser vivo e vira:
objeto
alvo de descarga
palco de fantasia de domínio
Isso pode estar ligado a:
vivências de impotência
humilhação crônica
histórico de violência sofrida
negligência emocional grave
A lógica inconsciente pode ser:
“Eu fui o impotente. Agora eu sou quem tem poder.”
Traços de insensibilidade emocional
Alguns adolescentes apresentam:
ausência de culpa
frieza afetiva
indiferença ao sofrimento
mentira instrumental
Quando persistentes, esses traços aumentam o risco de trajetórias antissociais — especialmente sem intervenção.
Violência como forma de sentir
Em certos casos, não há prazer, mas vazio.
A agressão vira um modo de:
sair da anestesia emocional
sentir intensidade
experimentar controle
3. O FATOR QUE MUITAS VEZES AGRAVA: PRIVILÉGIO E IMPUNIDADE
Superproteção associada a poder econômico pode funcionar como acelerador de risco.
Quando a criança cresce num ambiente onde a regra é: “Você não sofre consequências, nós resolvemos.” o aprendizado psíquico é devastador: ação ≠ responsabilidade
Como isso interfere no desenvolvimento moral
A consciência se constrói por um ciclo essencial: eu machuco → o outro sofre → eu vejo → eu sinto culpa → eu reparo
Se os pais entram e apagam as consequências: ele machuca → os pais abafam → nada acontece e o ciclo é interrompido.
Sem esse ciclo, não se desenvolvem adequadamente:
culpa autêntica
empatia madura
noção interna de limite
Resta apenas: medo de ser descoberto — e às vezes nem isso.
Ausência de frustração estruturante
Crescer sem ouvir “não” e sem vivenciar limites impede a formação de:
tolerância à frustração
reconhecimento do outro como sujeito
aceitação de que o mundo não gira ao redor do próprio desejo
Isso mantém um funcionamento psíquico onipotente e infantilizado.
Moral terceirizada
O jovem não constrói um freio interno. Ele aprende: “Se houver problema, meus pais resolvem.”
Sem responsabilidade pessoal, não há elaboração moral.
4. O AMBIENTE RELACIONAL
Dinheiro não protege contra:
abandono emocional
frieza afetiva
ausência de vínculo seguro
É comum haver:
pais emocionalmente indisponíveis
compensação material
culpa parental virando permissividade
terceirização da função parental
A combinação de negligência afetiva + indulgência ilimitada é altamente desorganizadora.
POR QUE ISSO É LEVADO TÃO A SÉRIO
Crueldade com animais na infância/adolescência é um dos marcadores clássicos associados a maior risco de violência interpessoal futura — não como destino inevitável, mas como sinal clínico importante.
O que preocupa não é só a agressão, mas a combinação de:
baixa empatia
prazer/poder na dor alheia
impulsividade
sensação de impunidade
ausência de responsabilização
EM SÍNTESE
Não se trata de “monstro” nem de “falta de caráter” isolada.
Estamos falando de um possível quadro envolvendo:
falhas na construção da empatia
déficit de internalização de limites
distorções no circuito de recompensa
vínculos precários
e, em alguns contextos, um ambiente que compra o apagamento das consequências
E há um ponto crucial: proteger um filho das consequências pode ser, paradoxalmente, uma forma grave de abandono do seu desenvolvimento moral.
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